VIAGENS

Viagem de Kawasaki Versys 1000, pelo Canions Gauchos, até Punta del Este.

Reportagem feita por Sidnei Scigliano para Revista Moto Adventure

capa revista para site

REVISTA PAG 1

REVISTA PAG 2 RESUMO DA VIAGEM

 Sidnei Scigliano e sua esposa Ana 2015/2016

O que é, o que é,  que faz curva como speed, mas não é speed, que passa pelos buracos como trail mas não é trail, que tem o conforto de uma touring, mas não é touring…

É a Kawasaki Versys 1000!!!

Como cheguei a conclusão?…. Vamos lá!!!

Resolvemos viajar daqui de São Paulo até Punta Del  Este, passando pelos Canyons dos Aparados da Serra, Rio do Rastro e Urubici, com o que seria teoricamente a moto ideal. Pedi para a Ana experimentar a garupa de diversas motos e escolhe-se a que tivesse o maior e mais confortável banco e que mantivesse suas pernas o mais esticado possível.

De minha parte precisava alcançar com os pés o chão, pois tenho 1,64 de altura, que fosse uma crossover, que é uma bigtrail de aro 17 na dianteira, uma tendência mundial que me agrada muito, pois a moto continua boa de buraqueira, só que ágil, e que não fosse muito pesada. Inicialmente pretendia alguma 650, com o peso em torno de 200 Kg.

A Versys 1000, que pesa 220 Kg é apenas 10% mais pesada, só que desenvolve o dobro da potencia com a maciez de um 4 cilindros, …. foi a nossa escolha.

Saímos de São Paulo, empolgados num dia ensolarado pela BR116, e já tive uma primeira constatação, graças a proteção da carenagem, que é regulável, os intercomunicadores funcionaram sem ruído, então a viagem fica muito mais agradável com bate papo fluindo normalmente.

E ai começa a festa, curvas, curvas, muitas curvas,  então pude sentir o mais importante, a estabilidade, que mesmo com a moto carregada, abastecida, piloto, garupa , alforges e baú, algo em torno de uns 430 Kg,   ( ah… mais a nossa idade que somada dá 120 anos…), comportou-se de forma excelente, perfeita, sem se afetar com eventuais buracos.

Aí uma pitadinha de emoção, chuva… chuva…. muita chuva, durante uns 100 Km., a moto continuou firme e segura. Suavizei a potencia para modo Low, liguei o controle de tração intermediário, e aí…, acabou a emoção!!!

Chegamos a Mafra, fomos descansar sem estar cansados, pois a nossa intenção era fazer uma viagem segura e prazerosa.

No dia seguinte passando por Vacaria, desviamos para cortar caminho e pegamos uma buraqueira de uns 50 Km, numa boa,  viramos a esquerda na via Rota do Sol e a esquerda novamente entramos em Cambara do Sul. Pousada aconchegante, povo hospitaleiro, café colonial, só alegria.

Da Pousada até os Canyons as estradas são ruins, de terra e muita pedra, existindo até a opção de alugar vans, mas decidimos testar a moto. E lá fomos rumo ao Canyon do Itaimbezinho e Fortaleza onde constatamos o porque o sucesso desse tipo de moto.

Os Canyons são incríveis, moro no Brasil e  não os conhecia, vale a pena.

Depois de 2 dias de Canyons, voltamos para a Rota do Sol, estrada moderna com lindas vistas, excelentes curvas  e um volume de carros maior, onde pude ultrapassa-los com agilidade graças ao motor tetracilindrico derivado da  ZX10 anterior, devidamente amansado de 160 para 120 cavalos ganhando uma elasticidade impressionante,  tanto que o cambio acabou virando enfeite, dificilmente tirava a sexta marcha, absolutamente sem vibrações.

Saindo da Rota do Sol pegamos a BR101, que fica entre a Lagoa dos Patos e o Mar, até o seu fim, em São José do Norte, uma reta gigantesca, com um trecho de buracos gigantes, um perigo, mas graças ao grande curso e qualidade de suspensão não corremos nenhum risco. Enfim chegando ao destino do dia, mais emoção, 5 km de areia fofa, que não é minha praia, tive dificuldade em controlar todo o peso, só não foi pior graças ao controle de potencia e de tração no modo 3, engenhoca eletrônica que nessas horas faz a diferença.

No dia seguinte, areia de novo e uma balsa pitoresca, molhada e demorada, nos tomou 2 horas, mas tudo bem, o restante foi tranquilo, retas gigantescas nos pampas gaúchos, passando pelo lindo Banhado do Taim, paramos no Chui para almoçar, e na sequencia a fronteira com o Uruguay onde passamos pela alfandega com documentos em ordem e carta verde em mãos, fomos  tratados com cortesia. Dai em frente através  uma estrada maravilhosa, e um friozinho gostoso chegamos ao destino.

Em Punta del Este que é uma Península, cidade turística, civilizada, a sensação de segurança é um de seus atrativos. Temos de um lado a Playa Mansa, frequentada por famílias e do outro lado a Playa Brava, onde fica a moçada, e no meio a feira artesanal, museu, casino e o imperdível por do sol na marina.

Indo mais ao Sul, Punta Ballena e sua vista, a Playa de Portezuelo e o Museu Casa Pueblo de Paez Vilaro

Indo para o norte as agitadíssimas praias de La Barra, com uma ponte maluca na sua entrada, Montoya, Manantiales e em seguida a aconchegante cidadezinha de Jose Ignácio,  com seu farol marítimo aberto a visitação, e a Laguna Garzon, com aguas calmas em contraste com o mar bravo, muito vento colorindo o céu com centenas de Kitesurf, um espetáculo.

Chegou a hora de encher o tanque com nafta, que é uma gasolina pura e a moto a ingeriu normalmente atingindo os 22 KM/L andando na boa, sendo que a média na viagem toda incluindo o Brasil ficou em 18 KM/L carregada, portanto a autonomia é grande, pois a capacidade do tanque é de 21 Lts. A 130 Km de Punta através de uma excelente autoestrada está Montevideo, linda Capital, onde fomos direto ao Mercado do Porto, lugar em que se concentram diversas Parillarias, (Churrasco Tipico uruguaio) é muito pitoresco e gostoso.

Voltamos a Punta e nos preparamos para a viagem de volta, primeiramente nos despedindo de minha sogra, uruguaia de 89 anos que deu uma voltinha na garupa da moto.

Preferimos voltar pela serra para aproveitar bem a BR116, no trecho conhecido como Rota Romântica, que é uma das melhores estradas que conheço, só que com chuva, muita chuva, então aproveitei para testar o ABS, que acertadamente não entra em ação a toa, só quando realmente é necessário, não interferindo na pilotagem, show.

Dormimos em Camaquã para no dia seguinte chegar em Urubici, cidade turística cheia de motos.

Acordamos e fomos ao Morro da Igreja, Cascata do Avencal, Morro do Campestre, dai aproveitamos e demos um pulo na famosa Serra do Rio do Rastro, é muito louca, vale a pena.

No dia seguinte pé na estrada, rumo a Joinville passamos pelo pitoresco Vale Europeu, com cidades que lembram presépios, só que com chuva, muita chuva, ainda bem que gostamos de andar na chuva, nada que uma boa capa e uma boa moto carenada não resolvam, pois a nossa roupa se manteve seca a viagem toda.

Acordando zarpamos para São Paulo, claro que com chuva, e com exceção da  região do Cafezal, a BR116 está muito boa.

Fim de viagem, chegamos a São Paulo com uma sensação de tristeza por ter terminado a viagem, não dava vontade de parar. Temos feito esse trajeto varias vezes e cada vez tem mais moto, porque tem pouco transito, a região é civilizada com curvas e retas para todos os gostos, um friozinho gostoso em pleno verão que te possibilita andar sempre bem equipado. Foram 17 dias, 5000 Km.

A  Versys estava intacta, não foi preciso regular a corrente, adicionar óleo nem sequer recalibrar o pneu, ela foi sem duvida a protagonista do sucesso desta viagem !!!!

Agora vocês me perguntam … “ Essa moto não tem nenhum defeito?

“.Tem, tem sim…, ela ainda não é minha !!!! mas já estou resolvendo isso.

Abraços a todos ……e até a próxima !!

Sidnei Scigliano e sua esposa Ana